Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reportagem. Mostrar todas as postagens

domingo, 10 de abril de 2011

Relação entre escola e as famílias dos alunos

Entrevista dada por Stella Bortoni a Gustavo Rodrigues

Editor Revistas Profissão Mestre e Gestão Educacional

De que maneira uma escola pode influir na família do aluno carente?

Pesquisas no Brasil e no exterior mostram que o envolvimento da família com atividades da escola contribui para o aproveitamento dos alunos. Recentemente, os dados divulgados pelo INEP, obtidos pelos sistemas nacionais de avaliação, mostraram que os 37 municípios de melhor desempenho escolar incluíram em sua política educacional a participação das famílias.

Como ela pode estender a transmissão do conhecimento para além dos muros da escola?

Em um país como o nosso, com um índice muito alto de analfabetos funcionais entre os adultos ( cerca de 23 dos adultos conforme o INAF, www. ipm.org.br) , as escolas localizadas em localidades com baixo índice de desenvolvimento humano, IDH, têm de incorporar mais uma tarefa: exercer o papel de agente de letramento junto às famílias de seus alunos. Há várias maneiras de se fazer isso. Por exemplo, desenvolvendo projetos de leitura em que as crianças levam livros para casa e lêem para os pais ou comentam com eles o teor do livro. Outras atividades são iniciativas como teatro, filmes, festas juninas etc. extensivos às famílias. Não se deve esquecer também que cabe às escolas estimularem os pais para que freqüentem com assiduidade as reuniões das APM, associações de pais e mestres.

Que diferença pode fazer uma escola envolvida com a sociedade?

Os benefícios são recíprocos. A escola se beneficia do acompanhamento de seu trabalho pedagógico pelas famílias, que assim estimulam os filhos; as famílias apreciam a oportunidade de estarem mais ativas no processo de educação de seus filhos. Também se beneficiam de atividades culturais promovidas pela escola. Em comunidades muito carentes, são raras as oportunidades de lazer e de participação em práticas sociais letradas, e quando as escolas as promovem, elas são bem-vindas.

As pessoas subestimam a capacidade de uma escola mudar o meio onde ela se encontra?

Não conheço pesquisas sobre o tema, mas creio que, no senso comum, a relação escola-comunidade é bem vista.

Qual o potencial da escola como transformadora social?

E escola é por excelência um agente de letramento e pode atuar também como um agente divulgador de práticas de saúde e de convivência harmoniosa entre as família, trabalhando contra a violência. Em especial, se os jovens têm oportunidade de lazer na escola, nos fins de semana, por exemplo, saem da rua e ficam menos expostos à violência, ao tráfico de drogas, etc.

Hoje as particulares também realizam ações parecidas?

Ver, a propósito da atuação de empresas, os projetos de empreendedorismo do Instituto Credicard, em São Paulo: “ Jovens escolhas em rede com o futuro”, SP: Umbigo do mundo, 2005

Qual o poder de transmissão de valores e culturas utilizando o aluno como ponte?

É natural que os pais se sintam motivados a participarem de atividades sugeridas pelos filhos. Fazem isso com alegria e com orgulho por verem os progressos dos filhos na cultura letrada, com a qual eles próprios, muitas vezes, têm pouca convivência.


Violência nas escolas

Violência desafia governos e educadores

O Valor procurou os educadores envolvidos em alguns destes casos e os relatos mostram a dificuldade em lidar com a violência quando ela entra no ambiente escolar

O massacre ocorrido no dia 07/04 - terça-feira, na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, revela uma situação preocupante: a violência na Educação não é um fato isolado e autoridades não têm pleno controle do problema.

Simples busca na internet descortina dezenas de casos ocorridos nos últimos anos envolvendo pessoas portando armas de fogo dentro dos muros das Escolas em todo o país, sejam elas públicas ou particulares.


O Valor procurou oseducadores envolvidos em alguns destes casos e os relatos mostram a dificuldade em lidar com a violência quando ela entra no ambiente Escolar.


"No cotidiano, nem o governo nem as Escolas sabem como agir diante da violência. Deveria existir um plano maior, de prevenção e esclarecimento, principalmente com a participação de pais e da comunidade", avalia Volmer Pianca, diretor do Sindicato de Especialistas emEducação do Magistério do Estado de São Paulo (Udemo).


Em um universo de 496 Escolas estaduais que participaram de pesquisa da entidade, 84% registraram ocorrências relacionadas à violência em 2009. Constam do levantamento ameaça a professores, arrombamentos, explosão de bombas, uso de drogas e porte de armas. Mais de 200 Escolas disseram ter problemas com drogas e mais de 90, com porte de armas.


Em nota, o secretário Estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald, informou que "o processo de universalização do ensino trouxe a sociedade para dentro da Escola pública e incorporou muitos problemas sociais, antes estranhos ao ambiente Escolar".


As Escolas paulistas contam com o apoio de 23 mil agentes que, entre outras funções, coordenam a entrada e saída dos estudantes, também vigiados pela ronda Escolar da Polícia Militar.


Em 2009, a Secretaria criou o Sistema de Proteção Escolar para combater a violência, com a difusão de práticas para identificar, prevenir e mediar conflitos nasEscolas. São 1,2 mil professores-mediadores, em mil Escolas da rede estadual. O Estado tem 5 milhões de alunos, 220 mil professores e 5,3 mil Escolas.


Há menos de uma semana, o ex-marido de uma professora da Escola Estadual Gonçalo Antunes Bezerra, em Alagoinha, interior de Pernambuco, invadiu uma Escola e atirou em doisalunos, que sobreviveram ao ataque.


No mês passado, um funcionário da Escola Estadual Armando Nogueira, em Rio Branco, no Acre, foi ferido nas dependências da unidade. "Houve investigação, pegaram um dos rapazes envolvidos, e depois do que aconteceu, os vigias passaram a trabalhar armados", relatou o professor Luiz Rodomilson.


Em 2009, o estudante Eduardo Lucas da Silva foi atingido por um tiro enquanto participava da aula de Educação física na Escola Estadual Governador Milton Campos, em Belo Horizonte. A secretaria do colégio informou que, desde então, até quatro policiais militares fazem ronda dentro da Escola durante o intervalo.


A diretora da Escola Estadual Agalvira Pinto, em Araucária (PR), Gislene Busch, teve de lidar com a morte de um aluno de 15 anos, baleado na quadra da Escola por um morador da comunidade, que levou um revólver para exibir aos amigos.


"Não tínhamos controle do acesso à quadra, porque os portões foram arrancados. O policiamento perto da Escola aumentou, mas os portões ainda não foram colocados por causa de burocracia na liberação de recursos", conta.


Em Teresina, no Piauí, o diretor da Unidade Escolar Monsenhor Cícero Portela Nunes, Carlos Fortes, afirma que o pelotão Escolar, unidade da Polícia Militar responsável por fazer a ronda Escolar no Estado, "tem número baixo de soldados e demora para chegar quando acionado". Em 2009, um funcionário da Escola foi baleado.


"Procuramos fazer o possível para manter a segurança: impedimos que alunos fiquem na frente da Escola, abolimos a entrada no segundo horário e nem mesmo pais de alunos têm acesso às classes", diz Fortes.


Para o educador e psicólogo Marcos Meier, as políticas governamentais devem focar oprofessor. "A formação profissional hoje é muito focada em conteúdo, num momento em que o professor está perdendo autoridade diante do aluno. Isso não ocorre só na Escola, vem de casa, da ausência de autoridade dos próprios pais. A formação deve reforçar o relacionamento social e as Escolas devem estar mais perto das famílias", opina ele.


Apesar da falta de estatísticas específicas sobre o assunto, o aumento da violência Escolar é perceptível em Porto Alegre, segundo professores e autoridades.


O delegado do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), Andrei Vivian, diz que há casos de estudantes flagrados com armas em Escolas da rede pública e privada. Até agora, não há registro de assassinatos na capital gaúcha, mas em maio de 2010 um estudante de 15 anos foi morto com um tiro por outro adolescente de 14 anos logo após descer de um ônibus.


Na época, a mãe da vítima relatou que há dois anos o filho era alvo de "bullying", porque era gordo. O assassino disse ser amigo dos colegas que assediavam a vítima.


Preconceito, tráfico de drogas, desemprego, desagregação social e desavenças pessoais são os motivos mais frequentes para a violência, na visão do delegado. Segundo ele, as Escolas não conseguem se isolar do ambiente violento que as rodeiam e acabam refletindo o aumento dos índices gerais de criminalidade.


A situação não é mais grave, diz, porque as Escolas estaduais contam com policiamento da Brigada Militar. "Não temos como blindar asEscolas, mas podemos reduzir a violência", diz o diretor do departamento de articulações com municípios da Secretaria da Educação do Estado, Glauber Lima. Segundo ele, 484 dos 2,6 mil colégios estaduais têm policiais "residentes", que moram no local.

Fonte: Valor Econômico (SP)

Tragédia no Rio: como seguir adiante

O fortalecimento da equipe gestora, a criação de espaços para a reflexão e o debate aberto sobre o fato são os caminhos para se criar condições de a escola voltar à rotina

A Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, foi palco de cenas de terror nesta quinta-feira, 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, ex-aluno da instituição, entrou armado no colégio, matou 12 crianças, foi alvejado por um policial e em seguida cometeu suicídio. O episódio ganhou destaque nos noticiários nacionais e internacionais e provocou muita comoção e grande sensação de medo e insegurança entre pais e professores.


NOVA ESCOLA ouviu especialistas das áreas da psicologia, da sociologia e da segurança pública e traz nesta reportagem alternativas para lidar com o drama do luto e orientações para que, em um momento tão difícil como esse, a escola se prepare para seguir adiante.

Como lidar com a tragédia
"O primeiro passo é fazer com que toda a comunidade entenda que esta é uma situação de exceção", explica a pesquisadora Ana Maria Aragão, do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Moral (Gepem) da Universidade de Campinas. Gestores, pais, professores, alunos e funcionários precisam enfrentar o medo. À escola cabe o papel de organizar espaços legítimos para debater o assunto. Todas as perguntas colocadas em jogo têm de ser devidamente respondidas. Não se pode negar a situação ou estereotipar os fatos. É importante que todos entendam o que esse drama significa. "As crianças precisam falar como se sentem, expressar-se, seja por cartas, desenhos ou conversas", observa Ana. "É discutindo o trauma abertamente que se criam condições para que todos acreditem que isso não vai acontecer todo dia", complementa a pesquisadora.

Para reestruturar emocionalmente a comunidade escolar após o drama, uma alternativa é pensar em ações coletivas, que envolvam professores e equipe gestora. "O diretor da escola tem um papel fundamental e precisa agir rápido, convocar a equipe - professores e funcionários - para uma conversa aberta sobre o fato. A equipe tem de se sentir fortalecida porque, depois, é ela que vai trabalhar com os alunos", afirma Catarina Iavelberg, assessora psicoeducacional especializada em Psicologia da Educação.

Trabalhar em grupo é uma boa medida. Para ajudar os alunos, o ideal é escolher pessoas que tenham bons vínculos com as crianças para conversar com eles - um professor ou um coordenador mais próximo das turmas, por exemplo. Os pais também devem ser estimulados a estar dentro da escola. Ana Aragão lembra que "o que menos deve ser conversado nesse momento é sobre como aparelhar a escola ou impedir o acesso da comunidade ao espaço. É importante não centrar as discussões na busca por culpados nem criar explicações generalistas".

"No caso da Escola Municipal Tasso da Silveira, a equipe certamente será beneficiada se houver ajuda de psicólogos para lidar com o trauma", acrescenta Miriam Abramovay, coordenadora da área de Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO). Mostrar que o medo é real e dar tempo para que equipe escolar, alunos e comunidade lidem com o trauma são atitudes fundamentais. Nesse momento, deve-se acolher os sentimentos de todos para fazer com que a escola volte a funcionar.

Como fazer da escola um espaço seguro


Além de lidar com a comunidade escolar quando acontecem episódios como o do Rio de Janeiro, é importante o trabalho cotidiano que garanta um ambiente de segurança e de acolhimento. Para tanto, há que se colocar em xeque a ideia recorrente de que violência na escola se combate com mais policiamento e com a instalação de grades, catracas e outros dispositivos semelhantes. "No calor do momento, o trauma gerado por eventos como o do Rio leva a uma reação mais irracional e produz o efeito inverso ao necessário: a escola se fecha, se isola e investe em vigilância", explica o sociólogo Pedro Bodê, especialista em segurança pública da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Esse não é, no entanto, o melhor caminho. "Afastar a escola do mundo exterior vai contra a função dela, que é integrar", complementa.

O investimento em segurança se faz necessário em alguns casos - como o combate aos furtos e a outros delitos - mas não pode ser pautado por um evento excepcional. É preciso tomar cuidado para que um fato isolado não gere pânico nem precipite a tomada de medidas emergenciais. "Apesar do choque causado, é necessário racionalidade para evitar excessos", diz ele.

Mais do que fechar as portas e isolar os alunos, é importante trazer a comunidade para perto e tê-la como aliada. Isso se faz organizando uma espécie de "rede de proteção" que aproxime a escola de famílias, de lideranças comunitárias, de associações de bairro, de associações comerciais etc. Manter esta interação diminui a incidência de casos de violência e aumenta a capacidade de resposta a eventos imprevisíveis.

Para o sociólogo, outro equívoco é fazer comparações com episódios violentos ocorridos em escolas estrangeiras. "São todos casos excepcionais, com características e contextos particulares", afirma. Como explica Bodê, "é preciso criar condições de segurança não só na escola, mas em toda sociedade. E essa responsabilidade, ainda que o Estado tenha um papel importante, é da própria sociedade".

EU AMO ENSINAR

scraps e mensagens
Somos todos iguais: temos a mesma carne, respiramos o mesmo ar.
Circunstancialmente, alguém sabe mais sobre determinado assunto, mas, assim que ensina e o outro aprende, o saber já se torna um bem comum.
Assim a vida vai irrigando terrenos ingênuos, de onde brotarão mais saberes.
As pessoas são como veículos, que tanto podem ser dirigidos por bons quanto por maus motoristas existenciais.
Ainda bem que alguns desses motoristas estão sempre dispostos a aprender novos caminhos.
Conscientes, vivem a Integração Relacional na sua plenitude.
Criativos, descobrem novas receitas para rotineiras comidas.
Responsáveis, praticam os projetos, porque tudo que começa tem um meio e atinge seu fim.
Afetivos, vibram com as aventuras e descobertas dos alunos, alimentando a auto-estima de todos.
Sensíveis, permitem que suas lágrimas se misturem às que escorrem dos olhos deles.
Generosos, ensinam os caminhos percorridos com mais amor.
Eternos aprendizes, sabem que, quanto mais estudam, mais seus alunos aprendem.
E, assim, esse sábios professores transformam o saber em sabor e alegria de viver.
Içami Tiba




EU AMO TODOS OS ANJINHOS